Critérios de avaliação para investir

05-09-2013

criterios de avaliacao para investirA poupança deve ser hoje uma prioridade para as famílias e tão importante como definir a quantia a colocar regularmente de lado para poupança é conhecer as regras para um investimento responsável.

É fundamental que se escolham aplicações financeiras adequadas aos objetivos definidos, que não se assumam riscos indesejados e que a rendibilidade esperada se ajuste às expectativas.

Regras básicas na escolha das aplicações financeiras:
  • Conhecer as características das aplicações escolhidas e avaliar previamente os seus riscos, procurando conhecer  toda a informação disponível;
  • Acompanhar o comportamento das aplicações ao longo do tempo e compará-lo com o de alternativas disponíveis no mercado;
  • Evitar colocar em risco as poupanças do agregado familiar e  ponderar a diversificação das aplicações financeiras.

Imaginemos, por exemplo, que uma determinada pessoa dispõe de € 5 000 e que não precisa deste montante para fazer face às despesas essenciais. O que poderá fazer com esse dinheiro? Guardá-lo em casa? Pô-lo no banco? Aplicá-lo em certificados de aforro? Comprar ações? Para tomar uma decisão dessa natureza, terá de ponderar alguns aspetos que, no fundo, são os que condicionam a opção por um determinado tipo de investimento:

  • Haverá alguma possibilidade de vir a perder o dinheiro aplicado ou uma parte dele?
  • Durante quanto tempo poderá manter o dinheiro investido?
  • E se, de repente, precisasse desse dinheiro, o que aconteceria?
  • Qual o nível de rentabilidade da aplicação?
  • Quais os custos envolvidos?
  • Quanto é que tem de pagar de impostos?

Segurança

A segurança é um aspeto muito importante e constitui umas das preocupações centrais da maioria dos pessoas que pretendem aplicar as suas poupanças.

A segurança de uma aplicação financeira depende de vários fatores:

  • Da solvabilidade, ou seja, da solidez financeira da instituição a quem se confiam as poupanças (risco de crédito);
  • Da eventual proteção legal de que poderão beneficiar os investidores em caso de problemas de insolvência das instituições (por exemplo, através do Fundo de Garantia de Depósitos que é um mecanismo de salvaguarda do sistema financeiro);
  • Da natureza da própria aplicação (por exemplo, quem investe em ações deve saber que não existe certeza sobre a evolução futura das cotações).

Fundo de garantia dos depósitos

Em Portugal, para fazer face a problemas de falências bancárias, existe o Fundo de Garantia de Depósitos, tutelado pelo Banco de Portugal, que garante alguma proteção ao investidor e permite que este seja, pelo menos, parcialmente reembolsado.

Características principais deste fundo:

  • Abrange todos os depósitos constituídos em Portugal ou noutro Estado comunitário;
  • Garante o reembolso até um valor máximo de € 100 000 (em 2011) por investidor;
  • Estão incluídos os juros até à data de indisponibilidade dos depósitos;
  • Os reembolsos de contas coletivas (com dois ou mais titulares) deverão ser repartidos em parte iguais (ex.: se um casal for titular de uma conta com € 1 000, cada um tem direito a receber € 500);
  • Os depósitos em instituições bancárias sedeadas noutros países comunitários também beneficiam de um sistema semelhante nos seus países de origem, sempre que este for mais vantajoso do que o português será automaticamente aplicado;
  • Este fundo só funciona para depósitos.

Liquidez

A liquidez de uma aplicação exprime a possibilidade de, a qualquer momento, reaver o dinheiro aplicado, de modo a dispor dele livremente. Quanto maior for a facilidade de recuperar o dinheiro, maior será a liquidez da aplicação.

Rendimento

Este é, obviamente, o principal objetivo de quem investe. Tem um duplo significado: pode dizer respeito aos rendimentos diretos produzido pelo dinheiro investido (por exemplo, os juros dos depósitos a prazo), mas também às mais-valias associadas (por exemplo, os dividendos das ações).

O rendimento de uma aplicação pode ser:

  • Pré-estabelecido, com taxa fixa ou variável. A taxa fixa produz uma rentabilidade constante, durante o prazo total do investimento. A variável significa que a rentabilidade pode aumentar ou diminuir, de acordo com as condições do mercado;
  • Não garantido à partida (é o caso das ações, onde até pode não haver quaisquer ganhos).

Sendo verdade que o cálculo do rendimento nem sempre é fácil ao comum do cidadão, apresentamos alguns termos a ter em atenção quando está a planear investir o seu dinheiro

Taxas de juro

Taxa anual nominal

As taxas de juro são quase sempre apresentadas na base anual. Isto é, mesmo que faça um depósito para prazos diferentes de 1 ano, a taxa que é apresentada é sempre para esse período.

Exemplo:

Se investir € 5 000 num depósito a 12 meses, com uma taxa de 2%, no final desse ano, receberia € 100 de juros (€ 5 000 x 2%);
Se investir num depósito a 3 meses, igualmente com uma taxa de 2%, receberia € 25 de juros, ou seja, 0,5% ao trimestre (2% a dividir por 4 trimestres);
Se o prazo fosse de 6 meses, receberia €50 de juros, o que corresponde a 1% ao semestre (2% a dividir por 2 semestres).

Taxa de juro bruta versus líquida

Uma taxa de juro bruta significa que o imposto não foi retirado. Nos depósitos a prazo, a taxa de IRS é de 28%.

Exemplo:

Aplicação de € 5 000 a uma taxa anual nominal bruta (TANB) de 2%,
Apesar de os € 5 000 renderem 2% ao ano, ou seja, € 100, o Estado fica com 28% desse valor (€ 100 x 28% = € 28). Portanto, terá direito ao remanescente, isto é, € 72 (€ 100 – € 28€).

TANL = TANB X (1-0,28)

Taxa de juro efetiva

O conceito de taxa anual efetiva líquida (TAEL) é, talvez, o mais difícil de entender. Uma taxa efetiva pressupõe que os juros recebidos são sempre reinvestidos à mesma taxa, até se atingir 1 ano sobre a data inicial da aplicação. Suponhamos que se aplica € 5 000 por 1 ano, num depósito com juros trimestrais ou noutro que paga juros só no fim do ano. Admitamos ainda que a taxa anual nominal líquida (TANL) é igual nos dois casos: 2,4%. Qual escolheria? Dado a taxa ser exatamente igual, deve optar-se pelo que paga juros primeiro.

Mas, atenção!

A TAEL é meramente teórica. No caso de depósitos com renovação mensal, trimestral ou semestral, é normal as taxas, entretanto, alterarem-se, violando a hipótese de cálculo da taxa efetiva.

Taxa de juro real

A taxa real corresponde, aproximadamente, à taxa nominal menos a inflação. O capital depositado cresce à taxa nominal, enquanto os preços daquilo que pode comprar aumentam, em termos médios, à taxa de inflação. Com uma taxa anual nominal de 1,8% e com uma inflação de 2%, o aforrador perde 0,2% em termos reais.

Custos

O conhecimento dos custos envolvidos numa determinada aplicação também é importante para o investidor. Por vezes, esses custos são irrisórios, quase simbólicos, e não prejudicam a rentabilidade das poupanças. Outras, são desmesuradas e podem até tornar desaconselhável a escolha de uma aplicação. Pode haver custos: de subscrição/entrada, de venda/saída, gestão…

Fiscalidade

A maioria dos rendimentos das aplicações está sujeita a impostos. Há alguns aspetos importantes a ter em conta, relativamente à fiscalidade:

  • A retenção na fonte (IRS) é o termo utilizado para designar a parte do rendimento que é retirada pela entidade pagadora. Um bom exemplo é o dos juros dos depósitos a prazo, em que os bancos descontam, de imediato, 28% dos juros, entregando-os ao fisco;
  • A eventual existência de mais-valias que resultam, regra geral, da diferença entre o preço de venda e o preço de compra de produtos, títulos ou bens e cujo regime fiscal é diversificado;
  • Alguns rendimentos são de declaração obrigatória ao fisco, como é o caso dos dividendos das ações.

Horizonte temporal

Significa, fundamentalmente, que é conveniente o investidor saber, à partida, durante quanto tempo não vai precisar do dinheiro para outros fins, visto que a recuperação do dinheiro ao fim de pouco tempo em produtos vocacionados para longo prazo pode acarretar perdas significativas.

Para mais informações:

Site Proteste Investe